TRANSTORNO DO JOGO COMO RISCO PSICOSSOCIAL EMERGENTE: IMPLICAÇÕES PARA A SAÚDE SUPLEMENTAR E PROPOSTA DE UM FRAMEWORK DE GESTÃO DO CUIDADO NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.67965/rbss.v4i2.127Abstract
O crescimento acelerado das apostas digitais ampliou a exposição populacional ao transtorno do jogo (TJ), condição reconhecida como dependência comportamental e associada a importantes impactos sociais, econômicos e ocupacionais. Este artigo teve como objetivo analisar os impactos do transtorno do jogo sobre trabalhadores e organizações e discutir suas implicações para a saúde suplementar, propondo um framework organizacional para identificação precoce, acolhimento e encaminhamento assistencial. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura nacional e internacional sobre transtorno do jogo, danos relacionados ao jogo, saúde ocupacional, riscos psicossociais, governança organizacional e saúde suplementar. As evidências indicam que o TJ pode comprometer a produtividade, a capacidade funcional, a tomada de decisão, as relações interpessoais e a integridade organizacional, além de estar associado a presenteísmo, absenteísmo, endividamento, sofrimento psíquico, comorbidades psiquiátricas e incapacidade laboral. A literatura também demonstra que danos relevantes podem ocorrer antes mesmo do preenchimento integral dos critérios diagnósticos, reforçando a importância da identificação precoce e das estratégias preventivas. No contexto brasileiro, a saúde suplementar representa importante porta de acesso ao cuidado em saúde mental para trabalhadores vinculados a planos coletivos empresariais, embora ainda existam lacunas assistenciais, epidemiológicas e organizacionais relacionadas ao transtorno do jogo. Como contribuição prática, propõe-se um framework estruturado em cinco eixos: prevenção e educação; identificação precoce; triagem ética e confidencial; encaminhamento assistencial; e governança e integridade. Conclui-se que o transtorno do jogo deve ser reconhecido como risco psicossocial emergente, demandando ações coordenadas entre empregadores, serviços de saúde ocupacional, operadoras de planos de saúde e formuladores de políticas públicas.
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